Skip to navigation Skip to main content
Artigos

Empilhadeira elétrica tem custo total menor que a combustão para baixo volume de uso?

adminartemis
25 min de leitura
CTA – Topo

Quando a operação movimenta carga poucas horas por dia, a comparação entre elétrica e combustão deixa de ser uma disputa de preço de etiqueta e passa a ser uma conta de rateio. É aí que entra o custo total elétrica x combustão em baixo volume: o gestor precisa descobrir quanto cada hora efetivamente trabalhada carrega de custo fixo — bateria, carregador, adequação elétrica — antes de decidir.

O erro mais comum é importar a régua de quem opera três turnos. Em regime intensivo, o custo por hora de energia elétrica se dilui em milhares de horas anuais e a vantagem da elétrica aparece quase sozinha. Em regime intermitente, o cenário se embaralha: a máquina a combustão só consome quando liga, enquanto a elétrica carrega custos que existem mesmo parada. Somam-se a isso a degradação da bateria em uso esporádico e as exigências de infraestrutura e de segurança — NR-11 e NR-20 — que variam conforme a motorização escolhida.

Este texto percorre os componentes do TCO, propõe faixas de referência para operações de 1 a 4 horas diárias na capital paulista e na Grande São Paulo e apresenta um roteiro para o gestor montar a própria planilha, incluindo a locação como alternativa de comparação.

O que é custo total (TCO) de uma empilhadeira e por que o baixo volume muda tudo

O custo total de propriedade (TCO, do inglês Total Cost of Ownership) é a soma de todos os gastos que uma empilhadeira gera ao longo da vida útil — não apenas o preço pago na compra. No mercado de movimentação de materiais, a regra prática que circula entre gestores é que o custo de aquisição representa apenas uma fração do gasto total: energia ou combustível, manutenção, bateria, treinamento de operadores, infraestrutura e valor de revenda pesam tanto ou mais que o desembolso inicial. Para uma operação de baixo volume — aquela em que o equipamento roda poucas horas por dia ou apenas alguns dias por semana — essa lógica se inverte em pontos que a comparação tradicional ignora.

Baixo volume não é uma categoria uniforme: pode significar uma empilhadeira que opera 1 hora por dia em um depósito de e-commerce, 2 horas por dia em uma indústria leve ou uso esporádico em um pátio de distribuição. Nesses cenários, custos fixos como bateria e infraestrutura de recarga se diluem em pouquíssimas horas produtivas, enquanto o combustível de uma máquina a GLP ou diesel só é pago quando o motor liga. É exatamente essa assimetria que torna o cálculo do TCO de baixo volume diferente — e que exige uma planilha própria, não a régua usada para operações de três turnos.

Os componentes do custo total: aquisição, energia, manutenção, bateria e revenda

O TCO de uma empilhadeira se decompõe em cinco blocos principais. O primeiro é a aquisição, que inclui preço do equipamento, frete, impostos e, quando houver, financiamento com juros. O segundo é o custo energético: eletricidade para recarga no caso das elétricas, ou GLP, diesel e gasolina no caso das máquinas a combustão. O terceiro é a manutenção — preventiva programada, corretiva não planejada, peças de desgaste e mão de obra técnica. O quarto é a bateria, que nas elétricas funciona como um componente de substituição periódica com custo elevado; nas máquinas a combustão, o equivalente são itens como motor, sistema de arrefecimento e escapamento. O quinto é o valor residual, ou seja, quanto o equipamento ainda vale na revenda ou na devolução ao final do contrato.

Em operações intensivas, energia e manutenção dominam a conta porque o equipamento acumula milhares de horas por ano. Em baixo volume, a bateria e a infraestrutura ganham peso relativo — um banco de baterias de lítio pode custar dezenas de milhares de reais e, se o equipamento rodar apenas 300 horas por ano, esse custo se dilui em pouquíssimas horas produtivas. O valor de revenda também muda de importância: máquinas com baixa quilometragem de horímetro tendem a preservar melhor o preço, mas o mercado brasileiro de usados tem particularidades regionais que afetam essa equação.

Por que a conta do baixo volume é diferente da operação intensiva

Em uma operação de três turnos, uma empilhadeira elétrica pode rodar 4.000 a 6.000 horas por ano, diluindo o custo da bateria e da infraestrutura de recarga em um volume enorme de trabalho. Nesse regime, a elétrica quase sempre vence a combustão no TCO de longo prazo, porque o custo por hora de energia elétrica é estruturalmente menor que o de GLP ou diesel no Brasil. Em baixo volume, porém, a máquina roda 300, 500 ou 800 horas por ano — e o custo fixo da bateria passa a ser o item decisivo.

Outro fator que muda em baixo volume é a manutenção. Máquinas a combustão exigem trocas de óleo, filtros e velas por intervalo de horas ou por tempo, mesmo paradas; já as elétricas têm menos itens de desgaste, mas sofrem degradação química da bateria quando ficam longos períodos sem uso ou com carga parcial. A leitura do horímetro em operação de baixo volume é o primeiro passo para saber em qual regime a sua frota realmente opera — e, sem esse dado, qualquer comparação de TCO parte de premissas frágeis.

Elétrica x combustão (GLP, diesel e gasolina): comparação lado a lado

A comparação entre empilhadeiras elétricas e a combustão no mercado brasileiro envolve três grandes famílias de motorização: elétrica a bateria (chumbo-ácido ou lítio), GLP e diesel. A gasolina é menos comum em empilhadeiras de médio porte e aparece com mais frequência em equipamentos leves ou em regiões onde GLP e diesel têm logística de abastecimento ruim. Cada opção tem um perfil de custo distinto, e a escolha errada para baixo volume pode gerar um prejuízo silencioso acumulado ao longo de cinco ou dez anos.

Custo de aquisição e financiamento

O preço de compra de uma empilhadeira contrabalançada elétrica a lítio é tipicamente maior que o de uma equivalente a GLP ou diesel, dependendo da marca, da série e do pacote de bateria. Esse prêmio inicial é o primeiro obstáculo para operações de baixo volume, porque o volume de horas trabalhadas pode não justificar o investimento adicional. Em financiamento, a diferença se amplia: juros incidem sobre um principal maior, e o prazo típico de 36 a 60 meses pode fazer a parcela da elétrica pesar no fluxo de caixa de uma PME.

Por outro lado, a elétrica tende a ter menor custo de manutenção ao longo do contrato, o que pode compensar parte do prêmio se a operação tiver um mínimo de regularidade. Para baixo volume extremo — menos de 1 hora por dia — o preço de aquisição da elétrica dificilmente se paga, e a locação ou a compra de uma máquina a combustão usada em bom estado costuma ser a saída mais racional. O gestor precisa separar o que é investimento de capital do que é custo operacional recorrente antes de fechar a conta.

Custo por hora de operação: energia x combustível

O custo energético por hora é o item em que a elétrica apresenta a vantagem mais consistente. Uma empilhadeira elétrica de médio porte consome, em operação típica, algo na faixa de 8 a 15 kWh por carga completa, dependendo da capacidade, do peso movimentado e do ciclo de trabalho. Com tarifas de energia elétrica na capital paulista variando conforme bandeira e classe de consumo, o custo por hora tende a ficar bem abaixo do de uma máquina a GLP ou diesel. Uma empilhadeira a GLP pode consumir entre 2 e 4 kg de GLP por hora em uso moderado; a diesel, entre 2 e 5 litros por hora em operações mais pesadas.

Em baixo volume, o total mensal é pequeno: economizar R$ 10 por hora em 44 horas mensais representa R$ 440 por mês — valor que pode levar anos para cobrir o prêmio pago na compra da elétrica.

Manutenção preventiva e corretiva ao longo dos anos

Máquinas a combustão têm motor, sistema de arrefecimento, escapamento, embreagem e transmissão — componentes que exigem troca de óleo, filtros, velas e correias em intervalos regulares, mesmo com baixa utilização. O óleo degrada com o tempo, não apenas com o uso, e vedações ressecam em máquinas paradas. Uma empilhadeira a GLP ou diesel parada por semanas pode apresentar problemas de partida, umidade no sistema e acúmulo de resíduos. A manutenção preventiva por calendário, e não apenas por horímetro, é um custo que não desaparece no baixo volume.

Já a elétrica tem menos itens mecânicos de desgaste: não há troca de óleo de motor, filtros de combustível ou velas. A manutenção se concentra em sistema hidráulico, pneus, freios e componentes elétricos. O relatório de horas rodadas ajuda a planejar manutenção mesmo em baixo volume, permitindo antecipar intervenções em vez de reagir a quebras. Ainda assim, a elétrica não é isenta de custos: contatores, sensores e placas eletrônicas podem falhar.

O ponto de equilíbrio: quantas horas por dia tornam a elétrica mais barata

O ponto de equilíbrio é o número de horas diárias a partir do qual o menor custo operacional da elétrica compensa o maior preço de aquisição e o custo da bateria. Não existe um número universal — ele depende da tarifa de energia local, do preço do GLP ou diesel, do custo da bateria, da taxa de juros do financiamento e do valor residual estimado. Mas é possível estabelecer faixas de referência para o contexto da capital paulista e da Grande São Paulo.

Cenários de 1, 2, 4 e 8 horas diárias

  • 1 hora por dia: a elétrica raramente se paga; o custo da bateria diluído em cerca de 250 horas anuais torna o TCO por hora altíssimo.
  • 2 horas por dia: zona de empate; a elétrica pode vencer no longo prazo apenas com bateria de lítio e tarifa de energia favorável.
  • 4 horas por dia: a elétrica começa a ganhar consistência, especialmente com lítio e operação em galpão fechado.
  • 8 horas por dia: a elétrica é quase sempre a opção de menor TCO em 5 a 10 anos, sobretudo em ambientes internos.

Esses cenários consideram uma empilhadeira contrabalançada de 2,0 a 2,5 toneladas, faixa mais comum em operações urbanas de armazenagem e distribuição na capital. Em operações de 1 hora por dia, a diferença de custo energético é tão pequena em termos absolutos que não há horizonte razoável para recuperar o prêmio de aquisição da elétrica. A partir de 4 horas diárias, o volume de horas trabalhadas começa a diluir o custo fixo da bateria e a diferença de manutenção passa a pesar.

Como calcular o seu ponto de equilíbrio em uma planilha simples

Para calcular o ponto de equilíbrio da sua operação, monte uma planilha com duas colunas — elétrica e combustão — e lance os seguintes dados: preço de aquisição, custo de bateria (se elétrica), consumo energético por hora, custo da energia ou do combustível, custo de manutenção anual estimado, horas de uso por dia, dias de operação por mês e valor residual estimado ao final de 5 e 10 anos. Some todos os custos para cada cenário e divida pelo total de horas trabalhadas no período.

  1. Registre as horas reais de operação: use o horímetro, não a estimativa do turno.
  2. Levante a tarifa de energia da sua instalação e o preço atual do GLP ou diesel na sua região.
  3. Estime o custo de manutenção anual com base no histórico ou em cotações técnicas.
  4. Inclua o custo de substituição da bateria no ano projetado de troca.
  5. Compare o custo por hora de cada opção e identifique em que ano a elétrica ultrapassa a combustão.

O ponto em que as curvas se cruzam é o seu ponto de equilíbrio específico. Se ele estiver além do horizonte de uso planejado — por exemplo, a elétrica só fica mais barata no ano 9 e você pretende usar o equipamento por 5 anos — a combustão ou a locação tende a ser a decisão financeira correta. Se o cruzamento ocorrer no ano 3 ou 4, a elétrica passa a ser a opção de menor custo total.

O custo escondido da bateria no baixo volume

A bateria é o item que mais distorce a comparação de TCO em operações de baixo volume. Diferente do tanque de GLP ou diesel, que só gera custo quando é abastecido, a bateria representa um desembolso antecipado que se degrada com o tempo mesmo quando a máquina fica parada. Entender a química, os ciclos e o comportamento da bateria em uso intermitente é essencial para não subestimar o custo real da elétrica.

Chumbo-ácido x lítio: vida útil, ciclos e substituição

As baterias de chumbo-ácido, tradicionais em empilhadeiras elétricas, oferecem tipicamente entre 1.200 e 1.500 ciclos de carga em condições ideais, com vida útil de 3 a 5 anos dependendo do regime de uso e da manutenção. As baterias de lítio, como as usadas nas séries elétricas mais recentes, suportam de 2.500 a 4.000 ciclos e podem durar de 7 a 10 anos, com recargas parciais sem efeito memória. A diferença de preço é substancial na aquisição, embora o custo por ciclo seja menor no longo prazo.

Para baixo volume, o número de ciclos importa menos que a vida útil em anos. Uma bateria de chumbo-ácido que dura 5 anos em uso intensivo pode durar os mesmos 5 anos em uso leve — ou até menos, se a manutenção for negligenciada. O gestor paga o mesmo preço pela bateria, mas dilui esse custo em muito menos horas. É por isso que, em operações de 1 a 2 horas diárias, a bateria pode representar o maior custo por hora de toda a operação, superando até o preço de aquisição do equipamento.

CTA – Meio

Sulfatação e degradação por uso intermitente

A sulfatação é o processo químico que ocorre em baterias de chumbo-ácido quando elas permanecem descarregadas ou parcialmente carregadas por longos períodos: cristais de sulfato de chumbo se formam nas placas, reduzindo permanentemente a capacidade. Em operações de baixo volume, em que a máquina pode ficar dias sem uso ou ser recarregada apenas parcialmente, a sulfatação acelera a morte da bateria. O resultado é uma bateria que precisa ser substituída antes do esperado, elevando o TCO de forma silenciosa.

As baterias de lítio são muito menos suscetíveis a esse tipo de degradação por desuso, o que as torna a escolha tecnicamente superior para operações intermitentes. No entanto, o prêmio de preço do lítio em uma máquina que roda poucas horas por dia pode não se justificar financeiramente. Se a bateria descarrega rápido mesmo em baixo uso, vale investigar o que verificar quando a bateria da empilhadeira elétrica descarrega rápido — o problema pode ser sulfatação, célula danificada ou consumo parasita do próprio equipamento.

Troca de bateria, recarga e infraestrutura de carregamento

A troca de bateria é um evento de custo alto e previsível: no chumbo-ácido, ocorre a cada 3 a 5 anos; no lítio, a cada 7 a 10 anos. Em baixo volume, o custo da troca precisa ser lançado na planilha de TCO no ano projetado, com valor atualizado. Além da bateria em si, há o carregador — que pode precisar de substituição ou atualização — e a infraestrutura elétrica do local: tomada industrial, disjuntor dedicado, cabeamento e, em alguns casos, adequação do quadro de energia. Esses custos de instalação são fixos e não diminuem porque a máquina roda pouco.

A recarga em operações curtas também tem particularidades. Uma bateria de chumbo-ácido exige ciclo completo de carga, que pode levar de 8 a 10 horas, além de equalizações periódicas. Se a operação usa a máquina 1 hora por dia, a bateria passa muito mais tempo no carregador do que em trabalho — e a tentação de pular cargas completas para “economizar tempo” acelera a degradação. O lítio aceita cargas de oportunidade e não exige equalização, o que simplifica a rotina, mas não elimina a necessidade de um ponto de recarga dedicado e seguro.

Custos que quase ninguém coloca na conta

Além dos componentes óbvios do TCO, existem custos indiretos que frequentemente ficam de fora das planilhas e que podem mudar a decisão entre elétrica e combustão em baixo volume. São gastos com adequação física do local, normas de segurança, tempo de recarga e depreciação — itens que pesam de forma diferente conforme a motorização escolhida.

Ventilação, área de recarga e adequações de segurança (NR-11 e NR-20)

Empilhadeiras a combustão emitem gases de escapamento que, em ambientes fechados, exigem sistema de ventilação ou exaustão para manter a qualidade do ar dentro de limites seguros. A proibição de empilhadeira a combustão em galpão comercial fechado na capital é uma realidade em muitos condomínios logísticos e centros de distribuição, o que pode inviabilizar a opção a GLP ou diesel independentemente do custo. A NR-11 trata da operação de equipamentos de movimentação de materiais, e a NR-20 aborda inflamáveis e combustíveis — incluindo o armazenamento de GLP, que exige área ventilada, sinalização e afastamentos mínimos.

Para a elétrica, o custo de adequação é diferente: a área de recarga precisa de piso adequado, ventilação para dissipação de gases no caso de chumbo-ácido, proteção contra incêndio e sinalização. A fiscalização do Ministério do Trabalho para pequenas empresas com empilhadeira existe e pode gerar autuações se as condições de operação e recarga não atenderem às normas. Em baixo volume, o custo fixo de adequar uma área de recarga para poucas horas de uso por dia pode ser desproporcional.

Tempo de recarga e impacto na produtividade em operações curtas

Em operações intensivas, o tempo de recarga é gerenciado com troca de baterias ou cargas de oportunidade planejadas. Em baixo volume, o problema é outro: a máquina fica parada a maior parte do tempo, e o gestor pode achar que a recarga não impacta a produtividade. Mas se a operação é imprevisível — por exemplo, um caminhão chega para descarga e a empilhadeira está no meio de um ciclo de carga de 8 horas — a elétrica pode não estar disponível no momento exato da demanda. A combustão, com abastecimento em minutos, tem vantagem de disponibilidade imediata.

Esse custo de oportunidade é difícil de quantificar, mas real em operações de logística urbana na capital paulista, onde janelas de recebimento e expedição são curtas e imprevisíveis. Para operações com picos esporádicos, a locação de uma máquina adicional para cobrir o pico pode ser mais barata que manter uma elétrica com bateria de lítio subutilizada — e a locação de empilhadeira para obra pequena por semana na capital é uma alternativa que merece entrar na comparação de TCO.

Depreciação e valor de revenda no mercado brasileiro

A depreciação é um custo que só aparece quando o equipamento é vendido ou devolvido, mas que deve ser provisionado desde o primeiro dia. No mercado brasileiro, empilhadeiras a combustão tendem a ter mercado de usados mais líquido em regiões com forte presença de operações externas e agrícolas. Um comprador de empilhadeira elétrica usada sabe que a bateria pode estar próxima do fim da vida útil e desconta esse custo no preço.

Para baixo volume, a depreciação por hora é alta em qualquer motorização, porque o equipamento envelhece por tempo e não por uso. Uma máquina com 5 anos e apenas 1.500 horas no horímetro vale mais que uma com 8.000 horas, mas o valor absoluto de revenda tende a ser baixo em relação ao preço pago. O gestor deve considerar que, em operações de baixo volume, o custo de depreciação por hora pode superar o custo de energia ou combustível — e esse é um argumento forte para avaliar a locação como alternativa à compra.

Quando a combustão ainda ganha no baixo volume

Apesar da tendência de eletrificação, existem cenários de baixo volume em que a empilhadeira a combustão continua sendo a opção de menor custo total e maior flexibilidade operacional. Reconhecer esses cenários evita o erro de investir em tecnologia que não se paga no contexto específico da operação.

Operação esporádica, pátios externos e turnos imprevisíveis

Em operações esporádicas — uma ou duas vezes por semana, com duração imprevisível — a combustão tem vantagem clara: a máquina está sempre pronta para uso, basta abastecer. Não há espera de recarga, não há degradação de bateria por desuso e não há necessidade de manter infraestrutura de carregamento dedicada. Para pátios externos, terrenos irregulares ou operações em áreas abertas, a combustão também leva vantagem em robustez e em ausência de restrições de umidade e poeira que afetam componentes elétricos.

A imprevisibilidade de turnos é outro fator: se a operação tem picos de demanda que não seguem um padrão — como recebimento de cargas em horários variados — a elétrica pode estar descarregada no momento crítico. A combustão, com abastecimento em minutos, elimina essa variável. Em operações urbanas na capital, onde normas regulam emissão de gases de empilhadeira a diesel em área urbana, é preciso verificar se a operação externa atende aos limites locais, mas a viabilidade técnica da combustão em pátios abertos permanece.

Disponibilidade de GLP, diesel e assistência técnica na sua região

A decisão entre GLP e diesel depende fortemente da logística de abastecimento local. Na capital paulista e na Grande São Paulo, o GLP tem ampla rede de distribuição, com entrega programada de cilindros ou tanques — o que favorece operações de baixo volume que não querem manter estoque de combustível. O diesel, por sua vez, é mais fácil de encontrar em qualquer posto, mas exige cuidados de armazenamento e tem custo por litro historicamente mais alto que o GLP em termos de energia entregue.

A assistência técnica é outro critério regional: máquinas a combustão têm mecânica mais difundida, com maior número de profissionais aptos a atender motores a GLP ou diesel na região metropolitana. Já as elétricas, especialmente as de lítio, exigem técnicos com formação específica em sistemas elétricos e baterias — mão de obra menos abundante e mais cara. Para uma operação de baixo volume que não pode ficar parada por dias aguardando atendimento técnico, a disponibilidade de assistência local é um componente do TCO que merece peso na decisão.

Como decidir: roteiro prático de avaliação em 5 passos

A decisão entre empilhadeira elétrica e a combustão em baixo volume não se resolve com regra de bolso. Ela exige levantamento de dados reais, simulação de cenários e comparação com a alternativa de locação. O roteiro a seguir organiza o processo em cinco passos que qualquer gestor de logística ou comprador industrial pode executar com uma planilha.

Levante horas reais, tarifa de energia e preço do combustível

  1. Extraia o total de horas do horímetro dos últimos 12 meses e divida pelos dias úteis para obter a média diária real.
  2. Consulte a tarifa de energia da sua instalação na fatura, incluindo bandeira tarifária e impostos.
  3. Cote o preço atual do GLP e do diesel com pelo menos dois fornecedores da sua região.
  4. Registre o custo de manutenção anual real ou estimado para cada motorização.
  5. Anote o custo de aquisição cotado para elétrica e combustão de capacidade equivalente.

Sem esses dados, qualquer comparação de TCO é especulação. O horímetro é a fonte mais confiável: muitas operações de baixo volume subestimam ou superestimam as horas reais de uso, e o erro se propaga por toda a planilha. A confiabilidade de empilhadeiras como a Hangcha para uso comercial em São Paulo também entra como variável qualitativa: equipamentos com menor incidência de falhas reduzem o custo de manutenção corretiva e o tempo de indisponibilidade.

Simule o TCO em 5 e 10 anos e considere locação como alternativa

Com os dados em mãos, projete o TCO para horizontes de 5 e 10 anos, incluindo substituição de bateria, manutenção, energia, depreciação e valor residual. Em seguida, compare com o custo de locação pelo mesmo período: o aluguel mensal de uma empilhadeira inclui manutenção e substituição de bateria, eliminando o risco de depreciação e o desembolso inicial. Para baixo volume, a locação frequentemente apresenta o menor TCO quando o horizonte de uso é curto ou incerto.

A locação também transfere o risco tecnológico para o locador: se a operação mudar de perfil, o contrato pode ser ajustado ou encerrado sem o ônus de revender um equipamento. Para operações de baixo volume na capital paulista, onde a demanda pode variar com contratos de clientes, a flexibilidade da locação é um ativo financeiro real. A decisão final deve considerar não apenas o custo por hora de cada opção, mas a previsibilidade da demanda nos próximos anos e a disponibilidade de capital para investimento.

Perguntas frequentes sobre custo total de empilhadeira elétrica em baixo volume

A empilhadeira elétrica vale a pena para usar 1 hora por dia?

Em geral, não. Com 1 hora diária, o custo da bateria diluído em cerca de 250 horas anuais torna o custo por hora altíssimo, e o prêmio de aquisição da elétrica dificilmente se recupera em um horizonte razoável. A combustão ou a locação costuma ser mais racional nesse regime.

Quanto custa substituir a bateria de uma empilhadeira elétrica?

O custo varia conforme a química e a capacidade. Baterias de chumbo-ácido para empilhadeiras de 2 a 2,5 toneladas podem custar dezenas de milhares de reais, e as de lítio, tipicamente o dobro. É um dos maiores custos do TCO em baixo volume e deve ser provisionado desde o primeiro ano.

Bateria de lítio compensa em operação de baixo volume?

Depende do horizonte de uso. O lítio degrada menos por desuso e aceita cargas parciais, o que o torna tecnicamente superior para uso intermitente. Mas o prêmio de preço em relação ao chumbo-ácido pode não se justificar se a máquina rodar poucas horas por dia e o horizonte de uso for curto.

Empilhadeira a GLP pode operar em galpão fechado?

Depende da ventilação e das regras do condomínio logístico. A NR-11 e a NR-20 estabelecem exigências para operação e armazenamento de GLP que devem ser verificadas antes da compra.

Qual o custo por hora de uma empilhadeira elétrica em baixo volume?

Não há valor único. Em operações de 1 a 2 horas diárias, o custo por hora pode ser dominado pela depreciação e pela bateria, não pela energia. A planilha de TCO com dados reais da operação é o único caminho para obter um número confiável.

Locar empilhadeira é mais barato que comprar para uso esporádico?

Frequentemente sim. A locação elimina o desembolso inicial, transfere o custo de manutenção e substituição de bateria para o locador e evita o risco de depreciação. Para uso esporádico ou horizonte incerto, a locação costuma apresentar o menor TCO.

CTA – Final